Os Mestres do passado, que entregaram à humanidade grandes legados de Sabedoria, têm ensinamentos que continuam ecoando nas vidas de todos os buscadores e, assim será por incalculáveis eras; existem também os atuais professores espirituais que desenvolvem suas missões de ensinar, orientar e abençoar as pessoas a todos os seres.
Tudo isso prova a necessidade que todos nós temos de acessar conhecimentos profundos que nos conectem com a essência da vida e nos permitam fazer de nossas existências respostas positivas à impagável oportunidade que é estar aqui.
A nossa maior sede não é a física, mesmo que muitos ainda não percebam, é espiritual. E o sentido do espiritual aqui é o valor superior da vida, da pessoa e de todas as coisas do universo.Infelizmente, ao longo do tempo, o sentido do espiritual foi desvirtuado e usado como pano de fundo para as mais diversas práticas humanas e, essencialmente, serve pouco ao verdadeiro desenvolvimento e evolução do ser.
Estamos assistindo à escalada do ódio, ao aumento das discordâncias e a diminuição da tolerância, a violência tem chegado a níveis alarmantes, a solidariedade ainda precisa ser ampliada e os ataques e ameaças entre as pessoas parecem ter sido banalizados. A impressão é de que muitas pessoas perderam o temor e o respeito às leis da vida e até as desprezam como manifestação de indiferença e atitudes que sugerem algum tipo de superioridade e arrogância. Não se tem medo nem sequer da morte… pessoas se arriscam a acidentes, doenças, perigos de toda ordem como se fossem seres invulneráveis.
A busca pela sensatez, autodomínio e a disposição para trabalhar a pedra bruta dentro de cada um parece ser algo muito tímido nesses tempos atuais de tantas facilidades materiais e tecnológicas. A tibieza, a falta de disposição para aprender, o pouco esforço e uma espécie de exigência de tudo “para ontem” parece cegar a muitos e isso gera preocupações e tristezas nos Mestres que já estão num nível sutil de existência.
A pressa e a tristeza dos Mestres é uma realidade. A pressa se dá por conta dos iminentes riscos de colapso existencial, materializado nas doenças físicas, mentais e emocionais, na desorientação individual dos seres que estão desconectados da bússola de Deus; tristeza dos Mestres porque não encontram pessoas para aprender sobre os mistérios da existência, não encontram gente com disponibilidade para serem polidas e temperadas para os grandes feitos aos quais todo ser é chamado… não encontram pessoas que desejam ser discípulos e trilhar um caminho de aprendizado dentro e fora, ao contrário, encontram muita gente que só aceita ser mestre, sem passar pelo trilho da purificação, do polimento (que é dolorido) e da descoberta gradual dos conhecimentos que, se bem compreendidos e utilizados, podem levar à Sabedoria.
A tristeza dos Mestres se dá também pelo pouco interesse em multiplicar a boa semente da paz e da sabedoria. Jesus já se referiu a isso na parábola dos talentos, sobretudo, para destacar a atitude mesquinha e acusatória do personagem que recebeu uma moeda, um talento. Na fala daquele que recebeu um talento para fazê-lo se multiplicar, está a preguiça que impede os esforços e está a atitude perversa em acusar quem lhe deu o talento de ser: “Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; e atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.” Ou seja, além de não se prestar a desenvolver e multiplicar o que recebera, contenta-se em apenas devolver o que lhe fora confiado e atribui sua incompetência e preguiça para agir à rigidez e firmeza de quem lhe dera tamanha oportunidade. Algo muito similar continua acontecendo na atualidade em que faz falta gente que tenha dedicação paciente em fazer multiplicar os dons ou presentes que recebeu e de exercitar a inteligência espiritual. Nessas circunstâncias, alguém dobrar sua cerviz para aprender de um professor espiritual é algo muito raro.
Os Mestres da humanidade estão com pressa porque existe urgência na mudança de valores e formas de viver e se isso não acontecer, pode gerar situações ainda piores; e estão tristes porque não encontram gente com disposição para se inclinar diante da superioridade dos valores da vida e se tornarem aprendizes, discípulos dedicados ao aprendizado das coisas do Espírito para, no tempo certo de cada um e de sua missão, serem elevados à posição de professores espirituais para Servir… e isso é a grande carência dos humanos de todas as idades! (Aluísio Alves: Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Pós-Doutorando em Educação, Doutor em Educação Médica, Hipnose Clínica, Mentoria de Líderes e Equipes).