Será que é correto dizer que existe uma eterna insatisfeita? Não seria exagerado classificar como eterna? Eterna não seria tempo demais?
Bem, antes de tudo, quero dizer que você já conhece essa eterna insatisfeita e que você se encontra a maior parte do tempo envolvido com ela.
Essa eterna insatisfeita compara tudo. Compara um dia com o outro, o ano atual com um tempo no passado, o gosto da bebida na casa de um e na casa de outro, uma pessoa com a outra… o tempo todo está fazendo comparações e registrando as impressões a respeito de todas as coisas que, cuidadosamente, classifica de boas ou ruins, certas ou erradas, bonitas ou feias, verdadeiras ou falsas… é uma atividade contínua e sem intervalos…
A eterna insatisfeita é a mente. Por gerar pensamentos o tempo todo, tem forte tendência a dominar a vida da pessoa porque faz com que cada indivíduo acredite que é seu pensamento… por isso, é usual a frase “eu estava pensando que…”, “ah, eu pensava que…” O fato é que essa fonte de pensamentos precisa ser compreendida e colocada a serviço do autoconhecimento e do desenvolvimento de mais felicidade e saúde, caso contrário, continuará gerando muita perda de energia, ilusões e escolhas equivocadas.
Vem um pensamento, um desejo de comprar algo que fará a pessoa feliz. A pessoa se sacrifica, se esforça e compra. Daí, certo tempo após comprar, já não se sente feliz com aquele produto e o pensamento já é o de trocar de marca, modelo ou simplesmente abandonar num canto aquilo que lhe custou tanto sacrifício. O que aconteceu? A eterna insatisfeita levando a pessoa a olhar para o turbilhão da ilusão, não no sentido moral, mas no sentido da percepção do que é essencial, do que faz sentido para seu espírito.
Por terem se colocado como escravas da eterna insatisfeita, muitas pessoas não vivem, apenas sobrevivem com problemas que parecem não terem fim, confusões nos relacionamentos, dificuldades extremas com o cartão de crédito e o dinheiro, carreiras profissionais destruídas e sem perspectiva, relacionamentos amorosos tóxicos e destrutivos, doenças físicas e emocionais que não param de aparecer e quando uma some, surgem outros incômodos, uma roda de sofrimentos que tiram a vontade de viver e a energia para retomar o verdadeiro fluxo da vida, que é simples, mas, exige reeducação espiritual.
Como já deve ter percebido, este estudo está trazendo para você um apoio para que se conheça melhor, descubra que se continuar tentando satisfazer a mente com sua fábrica de pensamentos, jamais chegará a um sentido maior para sua vida. Os pensamentos devem ser entendidos, examinados e compreendidos como dinâmicas que não dependem exclusivamente da própria pessoa, ou seja, eles acontecem, se avolumam como tsunamis, invadem e dominam o indivíduo.
E aí? – você deve estar se perguntando – como resolver isso?
Algumas sugestões de ações que podem ajudar a escapar das garras da eterna insatisfeita: silenciar é a primeira ação. Esforce-se para sair da barulheira dos seus pensamentos porque senão essas ideias vão manter você na confusão mental. A segunda atitude é a de parar de ter dó de si porque enquanto ficar com essa autocomiseração, com pena de si, terá pouca determinação para renúncias e cortes de tudo que lhe faz mal porque isso é fruto da eterna insatisfeita que é a mente que não para de falar e despejar pensamentos em seu mundo interno. A terceira ação deve ser observador de si para perceber as tendências para jogar tudo para cima para que Deus resolva para você sem assumir suas próprias responsabilidades nesse incrível milagre que é o presente da vida.
Resumindo: fazendo silêncio para ouvir seu espírito, parando de ter autopiedade para renunciar ao que é inútil e lhe faz mal e, junto com isso, assumindo a autorresponsabilidade com sua vida, você jamais será novamente escravo daquela que é uma eterna insatisfeita: a sua mente. (Aluísio Alves: Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Pós-Doutorando em Educação, Doutor em Educação Médica, Hipnose Clínica, Mentoria de Líderes e Equipes).